domingo, 31 de janeiro de 2010
Paixão
o veneno da rosa
não vai enterder
o que quero falar.
Deixo de lado as
palavras, pois
elas ja não podem
me entender.
Como é doce beber
do veneno das rosas
mas só quem ja provou
é que vai me entender.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Olhos
Saiu andando rapidamente antes que todos pudessem ver que as lágrimas já estavam prestes a descer dos olhos. Entrou com toda velocidade no banheiro, escolhei cuidadosamente a cabine que ficava mais ao final do banheiro, abriu a porta com toda força, entrou na cabine, sentou-se no vaso, fechou a porta, porém com mais delicadeza do que abrira . Ali ,sem ninguém por perto, começou a chorar. Não foi um choro rápido como quando as lágrimas descem rapidamente como se todas estivessem já no canto dos olhos só esperando a autorização para sair sem o menos pudor manchando todo o rosto , mas ,dessa vez , as lágrimas estavam todas em uma fila, organizadas e saiam uma por uma, assim podia sentir cada lágrima escorre pelo rosto e lavando a face como se fosse um longo e delicado beijo das lágrimas com os poros do rosto. Engraçado como mesmo estando chorando os lábios apresentavam um leve sorriso, um sorriso que poderia ser comparado ao de uma criança, pois era pequeno, porém puro e leve. Chorava um choro silencioso , pois aquele era o seu momento não queria que ninguém atrapalhasse, perguntando se estava tudo bem ali dentro, ou, ao menos, ouvisse, pois era o seu momento de choro. Após sair as ultimas lágrimas, pegou cuidadosamente um pedaço do melhor lenço que tinha e enxugou levemente o rosto, pois não queria separa as lagrimas dos poros, os amantes apaixonados , bruscamente. Levantou-se abriu lentamente a porta, pois queria verificar se não tinha ninguém dentro do banheiro, fora até o espelho, e pela primeira vez os olhos, mesmo após alguns minutos de choro, não estavam inchados, e nem a face estava amassada como era de costume quando chorava por outros motivos. Lavou levemente o rosto, como se estivesse arrumando um local sagrado que acabara de ser sede de uma das mais puras relações , mas pura do que todas as outras que já havia sediado em outrora. Olhou o rosto molhado no espelho, sorriu levemente, pois se sentia mais leve e puro, da mesma forma que o sorriso de outrora e foi para o meio da multidão, pois já tinha passado tempo de mais e tinha de correr para não perde a coisa que Ícaro mais queria.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Amanhã eu amo você.
Esperarei o sol se por
para lhe ver passar
com o mesmo olhar perdido
pois não cansa de me procurar
Estarei na janela
pois é de lá
Que vejo você passar
mesmo sem me notar
E quando você me notar
ou ,ao menos, me perceber
vou estar a te olhar
e dessa vez a receber
um olhar perdido teu
Mas não me importo de esperar
o dia que esse olhar
vai ser só meu
pois tenho a certeza
que mesmo que não agora
nem daqui a um minuto
esse dia vai chegar
e amanha, eu vou te amar.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
A rosa
domingo, 8 de novembro de 2009
O Lençol
Tudo já estava ficando mais alvo, o lençol começou a ter a cor azul beber, já dava para ver as manchas e o pequeno remendo, que a pouco estava coberto pela sujeira. Ao terminar de lavar, levou para a varanda onde ele secaria com maior rapidez. Foi à gaveta pegar outro lençol, porém notou que não havia nenhum. E como em um fluxo de consciência lembrou-se que havia dado todos os outros lençóis, já que não os usava. E como não tinha outra opção voltou à varanda, pegou o velho lençol surrado, e mesmo ainda estando um pouco úmido, põem na cama, ao se deitar sentiu um cheiro pior que o do lençol sujo, pois o sujo lhe lembrava o final da relação, mas o limpo lhe remetia ao momento da esperar, porém dessa vez seria uma espera sem esperança de chegada.
sábado, 3 de outubro de 2009
Cigarros
A musica começou a tocar, era aquela que você havia decidido, por mim e por você, que seria a nossa musica, e eu sem pensar nem duas vezes dei-a para você. Após me vestir sai à procura da banca mais próxima, pois decidi que iria comprar meu primeiro maço de cigarros, não seria qualquer cigarro eu já ate tinha a marca certa para comprar. Nem gosto muito de cigarros, porém eu comprei meu primeiro maço, não com o mero objetivo de fumar, como todos os outros viciados em cigarro, pois o meu vicio era outro, o cigarro iria servir apenas como um paliativo para minha vontade. Sei que é feio admitir isso, pois é assim que começam os vícios, sempre depois de comprar o primeiro maço vem o segundo e por ai vai, porém tenho um motivo nobre para comprar cigarros, não comprei pelo simples prazer de fumar e sim pelo gosto que o cigarro trás na minha memória. Aquele beijo que ficou marcado, aquele beijo que tinha um gosto de cigarro. Era engraçado, pois, não importava a hora do dia, a boca sempre estava com um leve gostinho de cigarro, ate tentei impedir você de fumar, mas ainda bem que não consegui, pois hoje a única coisa que eu ainda posso sentir de você é o gosto do cigarro que fica na minha boca, depois de uma boa tragada. Enquanto fumo, posso sentir o gosto dos nossos beijos, tive que apelar para os cigarros, pois não estava mais me servindo só ouvir a nossa musica e ler os contos do Caio Fernando Abreu, que eu e você gostamos tanto, parece que depois dos cigarros todas as coisas que me faziam lembrar de você ganhou novas cores e ritmos, visto que, a musica novamente me emociona o livro está ficando mais interessante, mesmo eu já sabendo o fim de todas as crônicas e contos , pois fazer essas atividades juntamente com o cigarro, é como ter uma parte de você junto a mim. Acho que ate nos revermos vou estar viciado em fumar, porém sei que o meu vício não estar ligado a nicotina e sim a saudade que sinto dos teus beijos.
domingo, 13 de setembro de 2009
Dois
Estranho, alguém começar a ligação assim, mas foi exatamente desse jeito que ele falou, antes de desligar. Eu fiquei ali alguns minutos , tentando entender e situar ,no tempo e no espaço, o que aquelas poucas palavras podiam passar, isso deve ter demorado mais ou menos meia hora, pois as palavras foram jogadas sem eu ,ao menos, poder me defender. Foi estranho ouvir aquela voz que já devia fazer, pelo menos, uns dois meses que não a ouvia, pois a ultima ligação que trocamos havia terminado de uma forma tão desagradável que ele prometeu nunca mais me ligar. Intrigante como algumas pessoas precisam gritar para poder falar tudo que pensam, acho que essa ação foi exatamente isso, um grito, talvez ele quisesse me ligar a muito tempo , porém não tinha coragem para poder fazer, e quando chegou perto de não agüentar mais, fez apenas o que o instinto mandou, falou em poucas palavras tudo que pensava. Mas para mim a frase havia ficado no ar , pois ela vinha sem um começo plausível e terminou sem um final clássico. Dessa vez tentei fazer com que meus neurônios pensassem antes que meus sentimentos, isso foi bem complicado , pois normalmente sou de sentir mais que pensar. Peguei o telefone disquei o numero que já estava mais que memorizado, mesmo que há algum tempo eu não o usasse, e liguei. O telefone chamava, e foi nesse intervalo de tempo que, pude pensar sobre tudo que eu queria dizer, como eu iria dizer,o que eu realmente queria dizer, e ainda deu tempo de mudar de opinião varias vezes. Será que me importava saber o porquê daquela ligação tão repentina? Já estava na terceira chamada e ninguém atendia, ninguém falava nada, ate pensei ter ligado para o numero errado. Com mais alguns toques ele atendeu, a voz veio átona , pareci ate que já sabia quem estava do outro lado da linha. Não pensei nem mais um minuto, e como em um desabafo, falei o mais rápido que pude, para não perder a coragem.
Eu to ligado, só para dizer que sempre quis te ligar.

