terça-feira, 8 de março de 2011

welcome to the casonse.






welcome to the casonse.

Muros de pedra que protegem intimidades, relógios, livros e espelhos.

Espelho objeto responsável por mostrar, seja aguilo que queremos perder ou que não podemos suportar. Com suas molduras diversas espelham, mostram ou desmostram o além do provável olhar. Livros que desalinham pensamentos, alinham sentimentos, eixos e desleixos em planos paralelos inconcretos. E TUDO É inscrito no tempo, responsável por nos podar e nos fazer viver, comer, ler, amar e morrer.

E tudo é inscrito?

http://www.facebook.com/album.php?aid=29315&id=100001727031122

(veja o ensaio completo)


sábado, 5 de março de 2011

Outro dia

Odiava ir à praia, mas como morava em uma cidade praiana, era quase impossível não ir, ao menos uma vez por ano, nem que fosse por obrigação. Todo aquele calor, a areia que era quente e a água que era fria, parecia produzido atenciosamente para lhe perturbar. Dessa fez, o mundo se processou de uma forma diferente, pois ninguém havia lhe convidado para ir à praia, mas por conta própria pegou o carro e foi. Não tinham ninguém lhe esperando, mesmo assim aceitou o impulso. De início, tudo parecia o mesmo, o sol lá em cima, a areia, mesmo ainda sendo quinze para as oito, já estava muito quente e o mar parecia estar de ressaca. Sentou-se na barraca, pediu uma cerveja e ali sentado ficou. Odiava o ritual, que normalmente a maioria das pessoas faziam ao ir à praia, não entendia qual era a graça de ficar virando de um lado para o outro, se lambuzando com um bronzeado, como se fosse uma galinha de maquina da padaria. Sentado ao longe viu, próximo ou mar, um castelo de areia, que devia ter sido feito há alguns dias, pois as estruturas da parede já estavam cedendo. Levantou-se e foi olhar mais de perto. Era engraçado, como as crianças sempre ao chegar a praia, vão logo sentando se na areia, e começando a fazer seus castelinhos, seja com o auxilio de um balde, ou simplesmente com as mãos. Olham de perto aquele castelo, lembrou-se da época que era criança, e mesmo sem gostar de ir à praia, algo que continuava na vida adulta, era obrigado a ir. Quando isso acontecia, a única coisa que o animava era o fato de poder construir seu castelo. Construir o castelo era uma tarefa, que necessitava de cuidado e atenção, pois todos os castelos fazem de conta que são fortes, mas na verdade, necessitam de cuidado. Quanto mais tempo passasse com o castelo, mais afeição vai se criando. Construir era tão divertido, que era capaz de deixar de comer, e só lembrando quando sua mãe insistentemente o chamava,chegando ameaçar a bater. Mesmo distante, em quanto almoçava, ficava observando com um olhar até doentio, pois se alguém ousasse tocar, era capaz de para o comer, e ir dizer que o castelo era seu e que fosse atrás de outro. Porém a pior parte só acontecia ao entardecer, pois era à hora de abandonar, mesmo com um olhar banhado, o seu castelinho de areia, talvez essa separação nem fosse tão dolorosa para o castelo como era para ele, pensava, porém era naquele momento que tinha a vontade de nem ter começado a relação, toda via, como não se podia remediar, tentava de varias formas se assegurar de que o castelo ficaria protegido até seu retorno, por isso, fazia muralhas e mais muralhas de arei, colocando pedrinhas e búzios para ajudar na proteção. Dessa forma ia se despedindo do castelo. Triste, ia andando e olhando para traz, pensando se o castelo também iria sentir sua falta, e em um pacto silencioso prometia voltar o mais rápido possível para visitá-lo, e mesmo sem gostar da praia, iria insistir diariamente para ser levado à praia. Depois de um leve mergulho nas lembranças, tornou ao tempo atual, quando uma criança, ao longe, enquanto corria, ia falando aos berros “Ei moço, esse castelinho de arreia é meu, foi eu que fiz ele ontem".

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Palavras não vêm facilmente

Não conseguia mais fingir a mascara de fortaleza inabalável, que normalmente ostentava na frente de todos, para poder ter seu ar de arrogância e superioridade costumeiro. Seu corpo já não funcionava como em outrora, pois estava quase impossível dizer onde cada órgão se localizava e tinha uma certeza, quase que fiel, que todos eles haviam se fundido, tendo em vista sua perda de consistência do mal estar. Nunca tinha lido o Mágico de OZ, porém certa vez haviam lhe contado a historia do homem de lata. Como aquele ser podia ter sido tão estúpido, ao ponto de pedir para o mago um coração. Tudo bem que o mago não lhe deu um, pois ele já o tinha, porém a tomada de consciência seria o problema futuro, e com certeza, em um prazo de seis meses ele iria se arrepender, mas já seria tarde de mais, e a situação já estaria irremediável. Coração, órgão humano historicamente responsabilizado pelas tormentas emocionais, mas que em sua opinião era apenas uma espécie de sindicalista, um fogueteiro grevista, que fazia com que todos os outros órgãos se revoltassem e se fundissem para produzir o mal estar. Mas no ponto em que se encontrava, não adiantava encontrar culpados. As horas passavam e o sentimento de incomodo só aumentava, tinham combinado de se encontrar as vinte horas, e já contabilizava um atraso de quinze minutos. Quinze minutos de ensaio, para quem tinha passado dois dias, não representava nem a preparação para o epílogo. No ensaio, assim como em uma seção de psicodrama, tinha conseguido falar tudo sem pestanejar nem mudar as palavras para sinónimos eufêmicos. O atraso já se contabilizava em vinte minutos, tempo inadmissível, mesmo que estivessem em período chuvoso. Será que havia se arrependido? Iria esperar fechar a meia hora de atraso, para poder ir embora. Ao longe, mesmo sem óculos, pode notar, não pela silhueta, mas pela maneira como andava, que a pessoa tão esperada enfim chegara. À distância em que se encontravam ainda lhe proporcionaria mais alguns minutos de decisão combustiva. Na hora da escolha tudo se tornava mais confuso e perturbador, e todas as certezas se diluíam em pensamentos ondulados que colocavam em prova a lógica tão certa. A Lei da relatividade estava contra seus pensamentos, e em algumas passos, os dois olhares iriam se cruzar. Nunca tinha sido seu forte se arrepender de escolhas feitas com muita reflexão, mas se a certeza ainda não era forte o suficiente, para se consolidar na presença do outro, admitir e aceitar a queda de sua arrogância era o melhor a ser feito. Antes que os passos que permitissem a decisão fossem recolhidos a zero, virou-se bruscamente e foi o mais rápido possível, sem olhar para traz, em direção a multidão, pois, assim, iria se diluir e ser apenas mais um. Tudo foi tão rápido que só quando realizou todas as ações, foi que o cérebro, agora um pouco mais calmo e duas vezes mais confuso, concebeu o que acabara de ordenar para o resto do corpo. O mal estar tinha se acalmado, por pouco tempo, e sabia que quando toda aquela adrenalina fosse metabolizada pelo corpo, ele iria voltar. Tinhas as desculpas necessárias, e as mentiras programadas para se defender de sua ausência do encontro, e isso lhe proporcionava um conforto mínimo, para mais um dia de pensamento.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Fim de Sísifo

Às vezes, quando as palavras faltavam, o silêncio podia ser usado como desculpa. Porém nem sempre silenciar era a melhor forma, pois quando ficava em silêncio, sua voz ecoava dentro de sua cabeça perturbando suas vontades e sonhos. Aprendera que devia falar o que pensava, e o fato de se machucar era apenas uma questão de ponto de vista, pois sempre teria uma pequena ferida a ser curada. Uma ferida, que mesmo sem ser percebida insistiria em doer, incomodar sem resolver cicatrizar. Quando se encontraram, seus pensamentos fugiram imediatamente de sua cabeça, como balões de gás hélio que sobem ao céu, no imediato momento que são libertados das mão de uma criança. O silêncio novamente era o rei da ocasião, e dentro do castelo do rei se abrigavam vários seres que podiam a qualquer momento serem expulso, tendo em vista que o espaço dentro das muralhas de dentes se tornava cada vez menos. De alguma forma os pensamentos voltavam lentamente a serem respirados, mas o silêncio, ainda não havia sido quebrado. Os olhares, as mãos, os corpos, as bocas, os toques, os silêncios. Os lábios cerravam, porque eram os únicos que tentavam parar o impulso, sabiam que não seriam fortes o suficiente, porém o pouco que tempo que pudessem impedir já serviam ao menos como uma esperança prostituída. Já serrados e a poucos segundos de abrirem, cansaram e cederam. O ar decidido que sai do pulmão, passava pelas traquéias, encontrava com as cordas vocais e por fim formavam os fonemas na boca. Responsável pela quebra total silêncio? Entretanto sua força não fora suficiente para ser considerada um grito de libertação. Os olhos perceberam que nada havia acontecido, por isso, todo o corpo se reorganizou para refazer o esforço semelhante ao trabalho de Sísifo. As sílabas subiam pela sua garganta como pedras, mas ao chegarem a boca fora expulsas e dessa vez puderam ser ouvidas em bom som. Eu ess-stuo a-paixo-nado p-o-or voc-ceeê.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Você me ouve?

Gosto de borboletas. Acho que é a melhor forma de me definir. Pensei em me denominar de "O colecionador de borboletas", porém esse termo não é apropriado para mim. Às vezes, passo muito tempo olham para elas, me sinto perdido,acho que as cores de suas assas servem exatamente para isso. Não sei como ,mesmo cansado, ainda gosto de passar as tarde olhando as borboletas voarem pelo meu jardim. Existem certos tipos de rosas que fazem com que elas pousem com maior freqüência, e são exatamente essas que cultivo no jardim. Já achei, várias vezes,que havia encontrado a borboleta mais bonita da minha vida, porém esta não valorizava muito a minha atenção, e dessa forma me deixava sozinho no jardins . Com freqüência, perco-me procurando as borboletas que mais me agradem , porém, acho que quanto menos procuro mais borboletas bonitas me aparacem, talvez sejam elas que me escolham. Atualmente, encontrei uma que a pouco ainda era lagarta. Ela, mesmo que ainda não queira ficar muito tempo em minha companhia, me permitindo observa-lá. Os poucos minutos que a seguro em minhas mão, já são bastante importantes. Ainda não sei como fazer para poder prende-lá, e talvez nem seja a melhor forma de fazer com que ela continue no meu jardim, pois, as vezes, a liberdade de ir e vim é mais forte que uma prisão. Ela talvez não saiba,mas suas asas, mesmo que novas, prenderam a minha atenção. Sei que posso perde-lá a qualquer momento, mas o pouco tempo que pude apreciar suas cores e asas já me fizeram pensar em uma vida de cores que antes não pude visitar. É no meu jardim que a espero todos os dias dos últimos tempo, e nos dias que ela resolve não aparecer, finjo que esse dia não existiu, e no dia seguinte saio a sua procura.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ao lado

Ser parte de sua vida, mesmo
que os outros não saibam,
não me impede de estar.

Poder de observar ao longe
e ter sempre perto,
é parte do nosso segredo.

Não precisão saber,
pois seus crivos são ínfimos
em relação ao que vivemos.

Não vão ser espaços limitados
que irão limitar minha relação.

Perto estou.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Agora também o cisne morre

O acordar começa com um: estou aqui e agora? O Acordar realmente me doe, aos poucos vou tomando conta de que realmente estou aqui. Nunca fui muito feliz ao acordar, não sou daqueles que pulam da cama, e dizem bom dia para o novo renascer do sol. Diferente dele, pois todos os dias acordava já com uma felicidade, às vezes chegando a me dar vontade de lhe meter uma bofetada na cara, pois só os tolos não percebem o verdadeiro sentido do acordar. Esse ato tão cotidiano devia nos lembrar quase que obrigatoriamente de que o hoje é um dia depois do ontem, um ano depois do ano passado e que mais cedo ou mais tarde ela vem nos visitar. Normalmente levo muito tempo para me tornar eu, tempo para me adaptar ao que esperam que eu seja. Sei muito bem como devo me portar, logo que me levanto, vou ao banheiro e diariamente passo na minha face três lâminas bastante afiadas, depois uso de uns fios presos para limpar meus dentes, me banho, uso o sanitário durante umas duas ou três paginas e vou levemente montando esse papel que devo desempenhar. Ele quando acordava, não precisa mais do que de cinco minutos, já estava pronto, não sei como ele tinha tanta certeza de se, mesmo com a pouca idade. O odeio sair de casa, principalmente depois que ela passou e o levou. Só saio de casa por basicamente três motivos, o primeiro deles são as compras, até porque ainda me alimento como todos os outros, o segundo o trabalho, esse só é motivo por haver necessidade das comprar, o último, é apenas uma hipótese, pois ainda não foi necessário. Certa vez, ele me disse que éramos invisíveis, e que toda minoria era invisível. Naquele momento concordei, e até hoje concordo em partes, mas quando me pego pensando o que é maiorias, me vejo em um conjunto de minorias articuladas, que tentam encontrar um ponto de congruência, mesmo que hipotética e utópica, e dessa forma se sentirem mais confortáveis enquanto humanos. Mas o pensar não me faz ter mais estímulos para querer me levantar. Ele era livre de pensar, parecia que a boca era grudada no cérebro, pois nada que passava por ela tinha um mínimo de logicismos anterior, e talvez por isso acordasse de bom humor. Atualmente estou ficando cada vez menos disposto a montar o papel, por isso costumo desmarcar eventos agendados há meses, com desculpas cada vez mais mentirosas, chegando ao ponto de em algumas ocasiões falar a mesmas coisas duas vezes. Não é só o acordar que estar me incomodando, o dormir também começa a me deixar chateado, pois começo a desconfiar de sua aliança de sangue com o acordar e dessa forma começo a ter amizade apenas com as tardes. Espero que essas não me decepcionem. Enquanto ela não chega para me conduzir a ele, vou acordando e toda vez começo o dia me perguntado: estou aqui e agora?