quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Basilar

Pegando os pedaços, a impressão é
De que as partes são maiores que o todo.

Das partes, recanto a musica do todo,
cheirando o todo das partes.

Do todo, os olhos selecionam  as
Partes que fazem continuar em um.


Tenho partes do todo, e todos da parte.
R    E    C    O    L    H    O....  recolho


                                              JUNTO.


ciclo...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Cães tanatos

 Coveiro 1: Manda este cachorro parar de latir.

Coveiro 2: Para!

Coveiro 1: Ele não está parando. Vamos mande com mais coragem.

Coveiro 2: Para, seu animal estúpido!

(Som de cachorro, chorando)

Coveiro 1: Pronto agora ele já foi em borá.

Coveiro 2: Acho que já está profundo de mais, podemos parar.

Coveiro 1: Falaram que o buraco era para caber duas pessoas. Você sabe a historia?

Coveiro 2: Suicídio. Estamos em agosto, não sei o motivo de haver tantos suicídios. Normalmente o numero aumenta só em meadas de dezembro.

Coveiro 1: Verdade. Só essa semana eu já enterrei dois. Um era um menino de 25 anos que pulou do prédio em que vivia. Os vizinhos comentavam que dava para escutar ele dizendo (imitando) Pareeeee!O outro foi uma senhora de 25. O povo comentou que ela tomou dez comprimidos para dormir. Enfileirou todos, tomou um por um e antes de cair no sono ligou para a amiga e disse: (imitando) Acho que estou com um pouco de sono vou dormir, me ligue só amanha.

Coveiro 2: Nossa. (continua cavando) Acho que agora está bom. (medindo o corpo do outro) São sete palmos. Buraco suficiente para caber dois caixões.

Coveiro 1: E cadê eles que ainda não chegaram? Que horas são?

Coveiro 2: São 4 horas e 45 minutos. Acho que vão chegar só as seis da manha.

Coveiro 1: Então o que nos resta?

Coveiro 2: O que nos resta é esperar.

Coveiro 1: Me entrete um pouco em quanto esperamos.

Coveiro 2: Ele ligou para ela, no dia do aniversario de casamento deles atirou.

Coveiro 1: Ele quem? Ela quem? Atirou?

Coveiro 2: Ele, (aponta para o buraco, e lembra que ainda não chegaram). Ele, (aponta para porta, e ver que ainda não chegou) Ele, que esta por vim. O suicida.

Coveiro 1: Ok, prossiga.

Coveiro 2: Era o aniversario de casamento deles, os dois que estão por vim (explicando). Ele disse para ela chegar em casa só lá pelas oito da noite, pois ele iria fazer uma surpresa. Quando deu sete e pouco, ligou novamente, disse que ela já podia vim, pois em dois minutos a surpresa estava pronta. E ai atirou.

Coveiro 1: Ai, quando ela chegou, olhou para ele deitado no chão, pegou a arma e falou: (imitando) O meu amor, por qual motivo fez isso, e nem uma bala me deixastes. Engano meu, ainda há uma bala. Sim irei ao seu encontro, e juntos ficaremos.

(os dois dão risadas)

 Coveiro 2: Não, foi um pouco menos Romeu e Julieta. Ela o viu deitado, com o sangue e miolos todos espalhados e tomou um litro de vinho, sem lembrar que já havia tomado seus costumeiros remédios antidepressivos. No casso dela, nem pode dizer que foi suicídio.

Coveiro 1: Mas, e vão enterra os dois juntos?

Coveiro 2: A família pediu.

Coveiro 1: Merda.

Coveiro 2: O que foi?

Coveiro 1: Lá vem a merda daquele cachorro de novo.

Coveiro 2: E o que fazemos?

Coveiro 1: Não sei, mas ele já vem latindo, e isso me enche o saco.

Coveiro 2: Deixa ele latir, dizem que os cães vem coisas, e seus latidos espantam almas que estão vagando.

Coveiro 1: Mas, não quero ele no meu pé.

Coveiro 2: Então vamos entrar nesse buraco.

Coveiro 1: Mas é uma cova, eu mesmo não entro.

Coveiro 2: Só é cova, quando tem algum caixão dentro, antes disso é só um buraco.

(Ditam-se os dois)

Coveiro 1: Ele ainda não parou de latir, que merda isso ta me enchendo o saco!

Coveiro 2: Mas ele vai já para.

Couveiro1: Pareeeeee!

(Silencio, por um tempo)

Coveiro 2: Acho que estou um pouco com sono vou dormir.

(Som de latido se distanciando)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Pedaços de um presente

Hoje, depois de muito se sabotar, ele resolveu ser mais fraco que a tentação. Passou vários minutos  apenas olhando para o guarda-roupa, pois queria ter a certeza de que não conseguiria ser mais forte que sua vontade. Levantou-se lentamente, caminhou, colocou levemente os dedos na porta do guarda roupa, e o abriu. Olhou para dentro, e em poucos segundos encontrou a caixa amarela, que há quase uma semana guardava. Seus dedos cuidadosamente a pegou e juntamente com um suave movimentam a transportou para perto do peito. Voltou a sentar-se na cama. Olhou firmemente para a caixa amarela, que ainda esta lacrada. A vontade de tirar o lacre era tão grande, que antes que pudesse perceber já havia jogado-o no chão. Havia adorado receber aquele presente, porém o fato de saber que era um presente efêmero e que em mais ou menos dias ele iria passar, lhe consumia. Após a retirada do lacre, a pressa para abrir a caixa ficava cada vez maior. Antes de abrir, prometeu a se mesmo que não iria retirar nenhum dos objetos que dentro dela estivesse, era apenas um ato de observação. Promessa que não durou mais do que cinco minutos, pois quando desesperadamente abriu a caixa, logo viu todos aqueles bolinhos de alfajos enfileirados. Parecia que o papel dourado que recobria cada um deles, implorava piedosamente para ser descascado e jogado ao lixo, pois ele não era digno de guarda por mais tempo os alfajos. Como entendera a vontade dos papeis laminados, rapidamente pegou um dos alfajos em sua mão, escolhera o de chocolate branco. Ao desembrulhar pode perceber o motivo pelo qual evitara tanto abrir a caixa, pois o simples fato de ver o alfajor, já lhe deixava consciente que o descontrole iria chegar como dominador da cena. A primeira mordida já anunciava a chegada da vontade da segunda, que por sua vez trazia o desejo da terceira, seguida da loucura pela quarta e mais uma e mais outra. E, o fim. Ao terminar de comer, fechou rapidamente a caixa, antes que os olhos se tornassem cúmplices do desejo. Coisa que foi inevitável, pois um pequeno pedaço do papel laminado, que insistiu em refletir a luz, já serviu de anunciação para o próximo alfajor que iria ser comido. Este seria o último que iria comer naquele dia, e mesmo que não fosse, iria comê-lo come sendo. Lentamente degustava-o, e ao final de alguns momentos de satisfação, fechou rapidamente a caixa e a colocou atrás de todos os seus livros, pois só assim conseguiria resistir. Como os alfajos não iriam durar para sempre, resolvera guardar os papeis que os cobriam como forma de lembrança. O gosto do alfajor ainda estava em sua boca. Era um sabor tão peculiar e delicado, que só perdia para o sabor do beijo da pessoa que o havia lhe dado de presente.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Para você

Acordei com um sonho em você.
Uma visita noturna muito oportuna.
Que ao acordar, fechei os olhos para voltar.

Era um dia claro, estávamos mais uma vez em BH
No jardim, que só nós conhecemos,
seu sorriso  aberto, foi o que primeiro vi.

Tua boca,  pescoço e orelhas
eram os locais que meus lábios mais
estavam gostando de passear.

O sol continuava lindo, como da última vez em BH
Você nos meus braços, local tão seu
Eu nos seus braços local tão meu.

Sabe, amanhã te conto mais sobre o sonho de BH.

domingo, 10 de julho de 2011

Esperando

(Duas mulheres, conversando enquanto fumam um cigarro)

Personagens:
Mulher com cigarro verde: CV
Mulher com cigarro rosa: CR

CV: Você já pensou em pular de um prédio?

CR: Não, nunca pensei em pular de um prédio.

CV: Mentira! Todo mundo já pensou em pular de um prédio.

CR: Mas eu nunca pensei.

CV: Sabia que as pessoas normalmente não morrem por causa da queda!

CR: Coisa que não importa muito, pois, no final, elas acabam mortas da mesma forma.

CV: Contaram-me, certa vez, que uma mulher, que havia pulado do vigésimo andar de um prédio, estava com a face feliz, e com uma mancha de sangue que lembrava um halo. Acho que ela estava sorrindo, pois havia sentido o vento no rosto.

CR: Mas ela estava morta, não importando o sorriso.

CV: Eu já pensei em pular do meu prédio, mas ainda não fiz. Acho que todo mundo já pensou em pular do seu prédio. Você não?

CR: Já lhe disse que não. Além do mais, moro em uma casa.

CV: No caso de quem mora em casas, acho que normalmente pensam em se envenenar, ou quem sabe dar um tiro no meio da cabeça. Alguma dessas coisas você já pensou?

CR: Nenhuma delas. Veneno, dizem que dói muito o estômago, e eu já tenho gastrite, acho que não vai ser muito bom. E da um tiro na cabeça, não Deus me livre. Quero ter um velório de caixão aberto.

CV: Ok, se você fala que nunca pensou em se matar, então é por que você não é normal.

CR: Que horas são? Meu relógio parou.

CV: Desculpa, o meu também parou.

CR: Que chato, pois acho que tenho de ir.

CV: Sem problemas, só cuidado, está chovendo muito, e 90% dos acidentes de carro acontecem nesse período do ano.

CR: E a pneumonia também aumenta, além de bronquites.

CV: Mas acidentes de carro, são mais perigosos.

CR: Ok tudo bem, mas de qualquer forma eu vou ficar aqui mesmo.

CV: Então quem vai sou eu,pois já estou atrasada. Adeus.

CR: Adeus. Você tem outro cigarro? O meu acabou.

CV: Sim tenho, toma. Pode ficar com todos, estou parando de fumar. Não quero morrer de câncer.

CR: Dessa forma, nem eu. Joguemos fora o cigarro.

CV: E não esqueça de parar de comer coisas com conservante, ou beber refrigerantes.

CR: Tudo bem, já não faço isso normalmente.

CV: Desculpas, mas tenho de ir mesmo.

CR: Tá, em que andar estamos mesmos?

CV: No vigésimo. Estou indo então.

CR: Cuidado e adeus.

sábado, 9 de julho de 2011

Durante um sonho e outro

Durante as noites tontas, ela vem me visitar.
Percorrem e marcam seus caminhos, por natureza.
Seus nascimentos são culpa de um sofrer de amor.
Amor este, que não entende o que tem.

Ao passarem pela face, deixam o cheiro da vontade
Vontade boba de querer o que longe se encontra.
Não importo, eu as guardo com carinho do sofrer.
Entre mão ou lenços a protejo.

Bobo, quem não percebe que elas são verdadeiras.
Cultivá-las em alegria seria melhor, pois,
dessa forma, elas vão um dia secar.

Peço, conserve no sentimento de origem.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Quase Amante

(Dois personagens não importam o sexo)

1- Você já vai?(silencio). A porta fica a esquerda.

2- Você não vem abrir?

1- Foi você que decidiu ir. Não estou lhe mandando embora.

2- Mas não fui eu que me troce até aqui. Por Favor, abra a porta.

1- Sabe, tem uma lenda que diz que se abrimos a porta para a pessoa que está em nossa casa, é porque queremos que ela volte a nos visitar.

2- E você não quer?

1- Não da forma que você se propõe a vim.

2- Já cansei de suas bobagens e seus gritinhos histéricos (silencio). Onde fica mesmo a porta?

1- A porta fica a esquerda.

2- OK. Tenha uma boa noite.

1- Para você também.

2- (vira-se para traz) A porta estar trancada. Por favor, venha abrir a porta.

1- Não sei onde coloquei as chaves (procurando nas roupas). Deve ter caído pelo chão, quando você tirou minha roupa.

2-Procure! Por favor.

1- Me ajude a procurar, não sei se vou me lembrar. Estávamos fazendo sexo.

2- Você estava fazendo sexo comigo.

1- Foi você que tirou minha roupa. Pelo que sei, foi você que quis.

2-Queria, mas no meio do caminho me arrependi. Cansei de saber a ordem exata dos acontecimentos. Gozei só por costume.

1-Achei as chaves. Pronto pode abrir a porta.

2- Por Favor, venha abri a porta para mim.

1- Já contei para você a historia de que quando abrimos a porta para alguém é porque queremos que essa pessoa volte para nos visitar?

2- E você não quer que eu venha lhe visitar?

1- Não da forma que você pretende.

2- Tudo bem. Além do mais, você já me contou essa historia varias vezes. Foi assim que eu vim aqui pela segunda vez, você havia aberto a porta.

1- A chave esta na sua mão já pode abri a porta.

2- E você não vai abri-la para eu sair?

1- Não!

2- OK, não precisa desses seus gritos histéricos, já disse que não gosto.

1- Desculpas.

2- As chaves.

1- Já estão em suas mãos.

2- A sim. Desculpa.

1- Pode deixar, eu abro a porta.

2- Obrigado.